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'Sou mãe de 150 meninas', diz dona de abrigo para crianças na Paraíba


Nilcilene Pontes mostra em painel fotos meninas que moraram na Missão Restauração e moram em outros estados (Foto: André Resende/G1)“Se não fosse por amor, eu não estaria aqui. Se eu falasse que é fácil estaria mentindo, mas saber que contribuí diretamente para que cada ‘filha’ tivesse um encaminhamento na vida é minha maior recompensa”. A frase é de Nilcilene Pontes Cabral, de 42 anos, que tem dois filhos biológicos, um de 10 e outro de 12 anos, mas se considera mãe de pelo menos 150 meninas. Ela e o marido, Djalmir Martins Cabral, são responsáveis pelo lar abrigo Missão Restauração, ONG destinada a acolher crianças e adolescentes do sexo feminino que vivem em situação de risco na Grande João Pessoa.
Nilcilene Pontes conta que tudo começou diante da necessidade de encontrar um lar para três meninas que ficariam sem ter onde morar após a direção do abrigo que as acolhiam anunciar que passaria apenas a cuidar de meninos. Segundo ela, a situação transformou seu desejo de ser mãe e de ajudar no embrião que daria origem ao lar Missão Restauração.

Desde 1997, quando a ONG Missão Restauração teve início, cerca de 150 meninas passaram pelos cuidados de Tia Nil, como as próprias meninas costumam chamar a coordenadora do lar abrigo. Atualmente na casa Missão Restauração, além de Nilcilene, seu marido e seus dois filhos biológicos, moram nove meninas, com idades entre 11 e 14 anos. No local elas possuem toda assistência necessária, desde cursos de capacitação, como costura e informática, a palestras sobre temas variados.“Sempre fui muito maternalista, sempre gostei de cuidar, ajudar. Eu e meu marido, que na época era meu namorado, trabalhávamos neste abrigo em que as meninas moravam. Quando notamos que elas poderiam voltar a uma situação de risco, decidimos alugar uma casa e ‘adotá-las’. A partir daí tívemos que nos regularizar e desde então já são quase 20 anos cuidando de meninas”, explicou.

Segundo Nilcilene Pontes, todos conseguem conviver em harmonia na casa, sem distinção entre os filhos biológicos e as filhas "adotivas". “Meus filhos já nasceram dentro do lar abrigo, sempre tiveram uma relação muito boa com todas as meninas que passaram por aqui. Até chegaram a ajudar um tempo, cuidando das plantas e dos animais que criamos aqui na casa”, 
As meninas que são acolhidas pela Missão Restauração são sempre encaminhadas pela Vara da Infância e da Juventude de João Pessoa. Todas elas passaram por situações de abandono, abuso ou maus-tratos. Conforme relata Nilcilene Pontes, as meninas ficam no lar abrigo até conseguirem uma nova família ou serem reintegradas às antigas ao completarem 18 anos.
“Nós sempre tentamos dar o melhor encaminhamento possível a elas. Muitas são adotadas, até por famílias de outras partes do Brasil. Depois de um tempo, após irem morar com outras famílias, elas se sentem na obrigação de ligar para cá e dizer onde estão morando, de falar que está tudo bem. A gente acaba estabelecendo um vínculo que não acaba nunca”, completa Nilcilene.

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