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PF não vê como crime participação de jovem da PB em chacina na Espanha

O delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito que investigou Patrick Gouveia, jovem que confessou ter assassinado a família do tio na Espanha, diz que não vê crime na participação de Marvin Henriques Correia no caso. A declaração foi feita nesta sexta-feira (4), uma semana depois de Marvin ter sido preso em João Pessoa, suspeito de dar dicas a Patrick durante o crime. 

No documento, o delegado da Polícia Federal Gustavo Barros diz que “não há elementos para dizer se Marvin sabia com antecedência dos planos de Patrick ou mesmo se tinha algum interesse ou participação nos mesmos”. O Ministério Público da Paraíba (MPPB), no entanto, entende que houve participação do jovem na chacina em Pioz.
A polícia, ao encerrar a investigação, decidiu por não indiciar nem prender o amigo de Patrick. O inquérito da Polícia Federal foi fechado no dia 24 de outubro, após Patrick se entregar e em seguida confessar o crime à Espanha.
Por telefone, o delegado questionou os motivos da prisão. “Ele está preso por homicídio, mas ele matou alguém? Não. Ele forneceu meios para que alguém fosse morto? Não. O comportamento é reprovável, do ponto de vista moral e ético, mas não é crime”, disse.
Para Barros, as conversas trocadas entre os suspeitos deixam claro que o contato entre eles só aconteceu depois que a mulher e os filhos do casal já estavam mortos e não há como afirmar que Marvin tenha influência direta na morte do tio de Patrick. “Se tirássemos o Marvin da história, a situação teria acontecido do mesmo jeito”, concluiu.
'Na cena do crime'
Segundo o Ministério Público da Paraíba, a troca de mensagens entre Marvin e Patrick o coloca como participante do crime, o que justificaria o pedido de prisão. “Os assassinatos foram na Espanha, ele estava aqui no Brasil, mas a troca de mensagens em tempo real fazem com que ele estivesse participando da cena do crime”, disse o promotor Márcio Gondim, que participou da audiência de custódia que decidiu manter a prisão de Marvin, na segunda-feira (31).
Gondim destaca que as investigações sobre o jovem ainda são iniciais, mas que os indícios contra Marvin são fortes. “Ele concordou e fomentou a conduta cometida por Patrick”, completa. O jovem está preso em um setor isolado no Complexo Penitenciário Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em Jacarapé, mas segundo o pai de Marvin, Percival Henriques, a defesa entrou com um pedido de habeas corpus para tentar a liberdade do estudante.
Defesa de Marvin
Para o pai de Marvin, Percival Henriques, o jovem não deve ser igualado a François Patrick Gouveia. Segundo ele, o filho não pode ser considerado como participante do assassinato. “Não há, em nenhum momento, ajuda, participação, instigação. Há um sujeito passivo que recebeu do outro a informação que matou três e ia matar mais um e ficou calado", disse. “Marvin podia ter avisado? Denunciado? Podia. Denunciou? Não. Isso é um crime? Então vamos enquadrar o Marvin nesse crime e não no de ajudar o assassino a matar”, declarou Percival.
Percival defede que o maior erro de Marvin foi ter uma “curiosidade mórbida” e não denunciar o crime à polícia. “O Marvin está preso, mas pessoas ficam falando só do Marvin e ficam atribuindo o crime a ele. Como se ele fosse igual a Patrick ou pior. Na verdade, a monstruosidade foi feita por um cara que matou a família inteira, que planejou isso com muita antecedência, que comprou os sacos para embalar os corpos e a faca com 15 dias de antecedência e que avisou pro outro depois que tinha feito, provavelmente numa hora de exibição. Ele estava se exibindo como todo narcisista. Igual a uma selfie do prato que come, de uma paisagem bonita, ele fez uma selfie de uma cena de crime, de uma cena bárbara, macabra, e Marvin teve uma curiosidade mórbida”, comentou.

O advogado de Marvin, Sheyner Asfora, disse ao G1 que o jovem não pode ser considerado envolvido no crime e que a conduta do suspeito "não é reprovável para o direito penal". “Para ser partícipe, teria que ter tido auxílio material, o que não houve, ele teria que ter induzido, e ele não induziu Patrick a tentar os crimes, ou instigado. Muito embora a conduta de Marvin possa ser reprovável do ponto de vista ético, moral, social e até dos princípios cristãos, não é reprovável para o direito penal. É nesse sentido que iremos demonstrar a ausência da responsabilidade criminal dele em toda essa história”, disse.
“Ele tem culpa desse comportamento, mas é uma coisa moral, é uma coisa que precisa ser trabalhada do ponto de vista psicológico para ele aumente o grau de humanidade, para que ele se sensibilize mais com as pessoas, para que ele entenda que na internet acontecem coisas reais. Ele jamais teria, na vida real, um comportamento semelhante. Ele não ia pescar comigo porque não gostava de ver os peixes fisgados. No sítio, Marvin não gosta que mate a galinha. Ele não quis ser médico, tentar faculdade de medicina como a mãe, porque não ia suportar ficar vendo corpos. É como se houvesse uma separação do que acontece na internet, onde pode tudo, e a vida real”, relatou Percival.
Percival também contou que conhecia Patrick e que nunca esperava que o amigo do filho fosse um assassino. “Ele era o cara que todas as amigas do Marvin queriam namorar. Era um cara que tinha 18 anos, tava no segundo ou terceiro período de Direito. Além de ser uma pessoa normal, era um modelo a ser seguido, um cara que ia ser juiz, promotor, advogado. De uma hora pra outra, vendeu o carro e se mandou pra Espanha, pra ser jogador de futebol”, lembrou. 

Relembre o caso
Os corpos de Janaína, Marcos e das duas crianças foram achados esquartejados em uma casa na cidade espanhola de Pioz em setembro, depois que um vizinho alertou sobre o mal cheiro perto da casa da família.
Após o início das investigações, a Justiça emitiu uma ordem de prisão europeia e internacional contra Patrick, mas até então o suspeito ainda não havia recebido nenhuma notificação sobre o mandado de prisão no Brasil.
Ele resolveu se entregar após o advogado dele, Eduardo Cavalcanti, voltar para o Brasil e explicar à família os detalhes do processo. O advogado informou que Patrick acredita poder se defender melhor das acusações na Espanha. 

O advogado disse que ficou surpreso ao saber da confissão, uma vez que enquanto estava no Brasil, Patrick negava ter cometido o crime. “Foi algo que surpreendeu, na verdade, porque o Patrick volta para a Espanha alegando que precisaria estar lá porque teria melhores condições de apresentar suas versões do fato e se defender de suas acusações. Aqui, ele insistiu em sua inocência”, disse Cavalcanti.

Fonte:G1
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